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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O charme da Amizade: por que se é amigo de alguém? , Por Gilles Deluze

Amizade: por que se é amigo de alguém? - Deleuze  A amizade, para mim, é uma questão de percepção. Não é o fato de ter ideias em comum, mas de uma linguagem comum ou uma pré-linguagem comum. (...) Há um mistério aí, uma base indeterminada... Tenho uma hipótese: cada um está apto a entender um determinado tipo de "charme". Ninguém consegue entender todos os tipos ao mesmo tempo. Há uma percepção do "charme". Quando falo de charme não quero supor, absolutamente nada de homossexualidade dentro da amizade. Nada disso. Mas um gesto, um pensamento de alguém, mesmo antes que este seja significante, um pudor de alguém, são fontes de charme, que tem tanto a ver com a vida, que vão até as raízes vitais — que é assim que se torna amigo de alguém. (...) Há frases insignificantes que tem tanto charme e mostram tanta delicadeza que, imediatamente, você acha que aquela pessoa é sua, não no sentido de propriedade, mas é sua e espera ser dela. Neste momento, nasce a amizade. Há de fato uma questão de percepção. Perceber algo que lhe convém, que ensina, que abre e revela alguma coisa. (...) Acho que toda amizade tem essa base: ser sensível aos signos emitidos por alguém. A partir daí, pode passar horas com alguém sem dizer uma palavra ou, de preferência, dizendo coisas totalmente insignificates. Em geral, dizendo coisas...A amizade é cômica.





            (Gilles DELEUZE in: "O Abecedário de Gilles Deleuze", 1996)

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