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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SUICÍDIO ENTRE OS JOVENS : O QUE ESTÁ ACONTECENDO !

O suicídio de uma pessoa querida me motivou a escrever sobre esse tema. Fora isso, o mesmo ocorreu com uma jovem estudante de medicina esta semana. Não só os números estão aumentando. Mais a imprevisibilidade também. Mesmo aquele que, aparentemente, contradiz todos os fatores ditos de riscos comete suicídio. Muitas vezes ao nosso lado. Talvez, sob o lapso de nosso olhar sempre ocupado.
O suicídio tem crescido entre as causas de mortes de jovens até 19 anos no Brasil. Em 2013, 1% de todas as mortes de crianças e adolescentes do país foram por suicídio, ou 788 casos no total. O número pode parecer baixo, mas representa um aumento expressivo frente ao índice de 0,2% de 1980. Crescimento de 5 vezes em 25 anos. Fico a pensar será que nossa química cerebral alterou tanto em 25 anos?
Entre jovens de 16 e 17 anos, a taxa é ainda maior, de 3% frente ao número total. Os dados fazem parte da pesquisa Violência Letal: Crianças e Adolescentes do Brasil. Eles foram compilados pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), um organismo de cooperação internacional para pesquisa.
Lógico, isso não se reduz ao Brasil mesmo no Reino Unido ocorre intensa mobilização para entender tal fenômeno: VEJA O ESTUDO AQUI . Na Holanda, por exemplo, cresce o número de solicitações de suicídio assistido em decorrência de quadros depressivos (VEJA AQUI NO JAMA). O suicídio querendo ou não , hoje , é visto , por muitos como uma solução.    
As campanhas de prevenção no Brasil e no mundo tem crescido. Sou favorável. É uma urgência. Mesmo que ainda me soe estranho campanhas maciças para não se matar. Fato é, que você conversando de modo mais próximo com as pessoas você, logo, verifica o estado de insuportabilidade que estão. De modo geral, lutando para se tolerar. Aguentando o próprio desgosto. Mentindo para si mesmo para poder continuar a mentir para o amanhã.

No Brasil verifico duas coisas: A completa descrença na estrutura do pais,como se fosse inútil querer empreender o seu tempo de vida em algo que porventura pudesse alterar as coisas por aqui. Isto é: Aqui? Foda-se nem vale a pena. Meu tempo de vida? Se for aqui vai ficar vago.A famosa sensação de jogo entregue. Bandeira branca. E a outra é o sentimento de não reconhecimento, um sentimento de que sua vida poderia ser facilmente substituída por outra. Ou seja, isso que eu faço o outro também pode fazer. Por que dessa sensação ? Fácil: Sua diferença conta pouco, seu diferencial pouco importa, seu jeito e gesto singelo nem é visto. O que conta? Oras , sua eficiência. É eficiente? Palmas. Não é ? Troca. Ajuste ou substituição.É desse sentimento de substituição que estou falando. Talvez, estamos submersos em um período de substituição desgovernada. De descarte.Talvez, temos que ampliar a discussão para além do binômio química cerebral e campanha de prevenção. Atenção : A vida pede urgência !

          Gabriel Pavani





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