A tendência da psiquiatria é aumentar o uso de remédios , em dose e número de pessoas, nos próximos anos ? Certamente !! Os psiquiatras , de modo geral , ainda estão meio perdidos em relação a questão da normalidade. Isto é , o que é normal e o que não é. Justifica-se , uma vez que, estudaram pouco estatística , leram pouco M.Foucault e C.Canguilhem e não entendem muito bem como funciona o neoliberalismo.
Voltando e ampliando a questão central : A norma avança na medida do tolerável. Ou seja , o que toleramos delimita a norma. Mais explicitamente : Chamamos de doença aquilo que não toleramos.Toleramos criança gritando dentro de casa e rabiscando a parede depois das 6 horas da tarde ? Não . Sabemos o que fazer com isso ? Também não . Logo , só podem ser doença. Toleramos ficar de luto por mais que 6 horas e isso acarretar algum grau de prejuízo em nossa performance social ? Não. Portanto , devagarzinho , para não chocar ( pois ainda não toleramos essa mudança brusca) , ficar de luto mais de 6 horas será doença também. Medicamos , segundo a lógica atual, pois estamos perdidos ou então somos ignorantes mesmo. Não sei bem ao certo. Sei que nos próximos anos é inevitável o aumento da quantidade e do número de pessoas utilizando psicofármacos. Um aumento que decorre do nosso grau de intolerância cada vez maior. É , bom lembrar , que sob este mesmo anseio , na Holanda (VEJA O ARTIGO DO JAMA CLICANDO AQUI) , a solicitação por eutanásia e ao suicídio assistido em casos de depressão são cada vez mais comuns , sabe o motivo principal ? Não toleram a solidão ( segundo depoimento dos próprios pacientes veja o artigo ). Enfim , apenas uma constatação de que não sabemos mais o limiar entre aquilo que não toleramos e o que é digno de ajuste.E , por esse mesmo motivo , não sabemos mais por qual motivo medicamos.
Gabriel Pavani.
Obs : Sou completamente e explicitamente a favor do uso do fármacos. Não simpatizo com nenhum movimento que vê no uso de fármacos um mal " em si ".Mas também, sou a favor de termos critérios claros e lúcidos no gerenciamento destes , afim de , utilizá-los em pró de uma vida digna e interessante. A questão é ,antes de mais nada, ética.
Pensamos que saúde mental não é algo espontâneo. Muito menos congênito. De modo algum configura-se como um processo passivo. Saúde mental é , claramente , uma construção. Uma conquista . Um processo ativo. Um direito conquistado. Sendo assim , estamos dispostos a fornecer o melhor conteúdo veiculado do modo mais interessante para construção de um alicerce sólido afim de uma saúde mental forte e autônoma. SEJAM BEM VINDOS !
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