Sempre me defini um não crente desde meus 14 anos. Pela primeira vez, nesses últimos meses, concebi, de algum modo, uma ideia, embora imanentista e científica, de Deus. Como cheguei até ela é muito curioso. Sempre me interessei por problemas linguísticos, embora num campo estritamente italiano, e na Itália até posso ser compreendido como um linguista interessante, mesmo que mal informado e extravagante. Recentemente me apaixonei pelas pesquisas linguísticas sobre cinema. E, naturalmente, não podia não recorrer à semiologia: ciência que entende os sistemas de signos como infinitos, e não só linguísticos.
Cheguei à conclusão de que o "cinema", reproduzindo-a, faz uma perfeita descrição semiológica da realidade. E que o sistema de signos do cinema é, na prática, o mesmo sistema de signos da realidade. "Portanto, a realidade é uma linguagem!" Precisamos fazer a semiologia da realidade, além daquela do cinema! Mas se a realidade "fala", quem é que fala e com quem fala? A realidade fala consigo mesma: é um sistema de signos através do qual a realidade fala com a realidade. Tudo isso não é um pouco spinozista? Essa ideia da realidade não se assemelha àquela de Deus?
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