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terça-feira, 25 de outubro de 2016

A CONQUISTA DOS AFETOS

"Quando os afetos aparecem, quem não está presente? O eu. Então, o domínio dos afetos chama-se DESUMANIZAÇÃO. A desumanização é a busca infinita do pensamento. Toda a questão do pensamento é encontrar os afetos, encontrar a desumanização - para não ser preso pelos sentimentos e pelas emoções ou pelo comportamento – que é manifestação da história pessoal de cada um. Ou seja, toda a questão do pensamento é se libertar exatamente da história pessoal. (Vocês conseguiram entender?) É isso a prática da desumanização! Para a arte se efetuar (e foi isso que eu expliquei do Proust), ela tem que se libertar exatamente da história pessoal – porque a história pessoal é um conjunto de fantasmas, tristezas, pequenas alegrias, grandes sofrimentos, enormes emoções ; e nela, na história pessoal, há sempre um HERÓI. Quem? Nós mesmos! Por isso a literatura moderna é brutalmente invadida pelo que se chama best seller. O best seller é sempre a história pessoal de um autor que se diz maravilhoso. Porque qualquer narrativa de história pessoal tem que ser elogiosa pra ele. Eu gostaria de marcar pra vocês uma questão muito bonita que foi a presença de um escritor chamado Henry Miller na literatura do século XX – creio que a partir da década de trinta. Para os mal avisados, o Henry Miller, em sua obra, está falando de sua história pessoal: não está! O Henri Miller é um lliterato dos afetos; não um contador de história pessoal. Então, é essa questão dos afetos e dos comportamentos; dos afetos e da história pessoal… A questão da arte, da filosofia e da ciência é conquistar os afetos – porque não se pode pensar por biografia pessoal. Pensa-se – exatamente – a partir dos afetos."

Cláudio ulpiano


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