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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O papel social do esquizofrênico , por Dr. R D Laing

"A 'esquizofrenia' não existe como 'condição', mas apenas como rótulo de um fato social e, como fato social, é um evento político. Esse evento político, ocorrendo na ordem cívica da sociedade, impõe definições e consequências à pessoa rotulada. É uma prescrição social que racionaliza um conjunto de ações sociais por cujo intermédio a pessoa rotulada é anexada por outras, as legalmente sancionadas, investidas de poderes médicos e moralmente obrigadas a responsabilizar-se pela pessoa rotulada. A pessoa rotulada é iniciada não só no papel, mas também numa carreira de paciente, pela ação combinada de uma coalizão (uma 'conspiração') de família, médico assistente, inspetor de saúde mental, psiquiatras, enfermeiras, assistentes sociais psiquiátricos e, com frequência, outros pacientes. A pessoa 'internada' rotulada como paciente e, especificamente, como 'esquizofrênica', é rebaixada de seu pleno status existencial e legal como agente humano e pessoa responsável, despojada de sua própria definição de eu, impossibilitada de reter seus próprios bens, impedida de exercer seu discernimento para decidir com quem se relaciona e o que quer fazer. Seu tempo já não lhe pertence e o espaço que ocupa não é o de sua própria escolha...Mais completa e radicalmente que em qualquer outro setor da nossa sociedade, ela é invadida como ser humano."
                                                                           

                                                                                 Dr.RD Laing, A Politica da Experiencia


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