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sábado, 17 de dezembro de 2016

LACAN E SUAS FASES , POR GILLES DELEUZE

Então, em geral, as interpretações personológicas – e eu insisto sobre isso: a personologia teve uma enorme influência sobre a psiquiatria. Por exemplo, o autor do grande manual de psiquiatria, Henri Ey, o inimigo-amigo de Lacan, se lançava na personologia profundamente. Um tipo como Lagache era e tentava fazer uma psicanálise personológica. Para o meu prazer, penso que a tese de Lacan, que ele havia editado sobre a psicose paranoica, é, ainda, de ponta a ponta, atravessada por uma visão personológica que será absolutamente o oposto das teses que ele defenderá em seguida. Bem, há, primeiramente, se vocês quiserem, esta grande corrente.
Há uma segunda corrente que pode ser dita “estruturalista”, mas que, com efeito, é completamente distinta, diferente. Dessa vez, a psicose é interpretada em virtude de “fenômenos essenciais da estrutura”. Não se trata mais de um acidente que ocorre às pessoas sob a forma de uma espécie de mecanismo de decomposição, de degradação. É um acontecimento essencial da estrutura, ligado à distribuição das posições, das situações, e das relações de uma estrutura. E, nesse sentido, todo o segundo Lacan, quero dizer, Lacan após sua tese, o Lacan dos Escritos, lança, por exemplo, uma interpretação extremamente interessante da psicose em função da estrutura.
Já eu, fui sempre atraído por – e é bem por isso que eu insisto sobre: não foi Félix nem eu que inventamos esse ponto de vista, eu penso, antes, que nós dele nos servimos, e que, relativamente, o renovamos.


Curso de Gilles Deleuze em Vincennes. Maio de 1980 Reflexões sobre O anti-Édipo - Primeira aula
Transcrição em francês: Frédéric Astier


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