Diante da ausência de resultados satisfatórios com medicação para tratar e controlar a depressão em jovens portadores do espectro autista de alto funcionamento, a psiquiatra de Belo Horizonte Mercêdes Alves começou, há cerca de um ano, a tratar 12 pacientes com idades entre 6 e 22 anos com a estimulação magnética transcraniana (EMT). Os pacientes apresentaram melhora significativa em seus comportamentos, e o estudo será publicado em breve em revista científica.O autismo de alto funcionamento é aquele em que os pacientes conseguem levar vida relativamente independente, considerada uma forma mais branda de autismo. Os sinais mais comuns incluem problemas com habilidades sociais, comportamentos excêntricos ou repetitivos, práticas e rituais incomuns, dificuldades de comunicação, problemas de coordenação. Essas pessoas podem ser excepcionalmente inteligentes e talentosas.
Nesses quadros, porém, a depressão é frequente. “Os sintomas depressivos são muito comuns no autismo, porque não é uma depressão que responda bem aos medicamentos. Eles têm uma reação paradoxal à grande maioria dos medicamentos, não suportam. Um dos meus pacientes não toma nenhum medicamento, não tolera nenhum, mas responde maravilhosamente bem à inibição cortical, que é a estimulação feita com frequência baixinha de 1 hertz apenas no hemisfério direito do cérebro”, explica Mercêdes.A estimulação transcraniana é uma terapia não invasiva, segura, praticamente indolor e que em nada se assemelha aos eletrochoques. São utilizadas ondas eletromagnéticas para estimular partes do cérebro. O paciente tem que usar uma touca na cabeça, na qual são demarcados os lugares onde a máquina deve atuar. Em seguida, um potente campo magnético, que passa por uma bobina, é ativado e gera uma corrente elétrica que irá atravessar o crânio e atuar na região desejada.Esse tipo de estimulação utilizada pela médica não é a considerada padrão. “O que é padrão é a estimulação excitatória no hemisfério esquerdo com frequência alta, acima de 5, 15 e 20 hertz”, afirma. De acordo com a médica, foi interessante observar como a estimulação excitatória na região córtex pré frontal dorso lateral esquerdo não teve absolutamente nenhum resultado clínico, mas a resposta com a estimulação inibitória do lado direito, no córtex pré frontal dorso lateral direito, foi muito satisfatória. “No primeiro paciente que recebi, fiz 25 aplicações, porque o nosso protocolo é de 20 a 30 aplicações diárias e subsequentes, e não tivemos nenhum resultado. Mas já na primeira aplicação com inibição do lado direito (do cérebro) já teve resultado. O paciente mesmo depõe sobre o seu bem-estar. Chega de uma forma e sai de outra”, explica.A manutenção do tratamento deve ser feita com intervalos variáveis, de acordo com cada paciente. “Tenho um paciente que é investigador, e ele tem uma capacidade enorme de perceber finamente as reações. Então, ele que vem me ensinando sobre os resultados que consegue perceber, é muito interessante”, diz. Nos pacientes com autismo de baixo funcionamento, porém, não existem indícios de melhoras com a EMT.
Fonte : http://www.otempo.com.br/mobile/interessa/estimulação-craniana-melhora-depressão-em-parte-de-autistas-1.1401683
Pensamos que saúde mental não é algo espontâneo. Muito menos congênito. De modo algum configura-se como um processo passivo. Saúde mental é , claramente , uma construção. Uma conquista . Um processo ativo. Um direito conquistado. Sendo assim , estamos dispostos a fornecer o melhor conteúdo veiculado do modo mais interessante para construção de um alicerce sólido afim de uma saúde mental forte e autônoma. SEJAM BEM VINDOS !
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