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domingo, 27 de novembro de 2016

USO DE DROGAS , POR GILLES DELEUZE E FÉLIX GUATTARI

"O problema está bem colocado quando se diz que a droga faz perder as formas e as pessoas, faz funcionar as loucas velocidades de droga e as prodigiosas lentidões do após-droga...dá à percepção a potência molecular de captar microfenômenos, micro-operações, e dá ao percebido a força de emitir partículas aceleradas ou desaceleradas, segundo um tempo flutuante que não é mais o nosso, e hecceidades que não são mais desse mundo: desterritorialização, 'eu estava desorientado' [...] Em vez de os buracos no mundo permitirem que as próprias linhas do mundo fujam, as linhas de fuga enrolam-se e põem-se a rodopiar em buracos negros, cada drogado em seu buraco, grupo ou indivíduo, como um caramujo. Caindo mais no seu buraco do que no barato [...] Não somos mais, ele mesmo não é mais senhor das velocidades. Em vez de fazer um corpo sem órgãos, suficientemente rico ou pleno para que as intensidades passem, as drogas erigem um corpo vazio ou vitrificado, ou um corpo canceroso: a linha casual, a linha criadora ou de fuga, vira imediatamente linha de morte e de abolição[...] Seria o erro do drogado o de partir do zero a cada vez, seja para tomar droga, seja para abandoná-la, quando se precisaria partir para outra coisa, partir 'no meio', bifurcar no meio? Conseguir embriagar-se, mas com água pura (Henry Miller). Conseguir drogar-se, mas por abstenção, 'tomar e abster-se, sobretudo abster-se' (Michaux) [...] Os drogados não escolheram a boa molécula ou a boa linha. Toscos demais para captar o imperceptível, e para devir imperceptíveis, eles acreditam que a droga lhes daria o plano, quando é o plano que deve destilar suas próprias drogas, permanecer senhor das velocidades e das vizinhanças."  Deleuze e Guattari, Mil Platôs 4 - Capitalismo e esquizofrenia 2



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