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domingo, 27 de novembro de 2016

O DEVIR DO CORPO FEMININO , FELIX GUATTARI

o devir corpo feminino não deve ser assimilado à categoria ‘mulher’ tal como ela é considerada no casal, na família, etc. Tal categoria, aliás, só existe num campo social particular que a define! Não há mulher em si! Não há pólo materno, nem eterno feminino... A oposição homem/mulher serve para fundar a ordem social, antes das oposições de classe, de casta, etc. Inversamente, tudo o que quebra as normas, tudo o que rompe com a ordem estabelecida, tem algo a ver com o homossexualismo ou com um devir animal, um devir mulher, etc. Toda semiotização em ruptura implica numa sexualização em ruptura. (...) Parece-me importante explodir noções generalizantes e grosseiras como as de mulher, homossexual... As coisas nunca são tão simples assim. Quando as reduzimos a categorias branco/preto ou macho/fêmea, é porque estamos com uma ideia de antemão, é porque estamos realizando uma operação redutora-binarizante e para nos assegurar-mos de um poder sobre elas. Não podemos qualificar um amor, por exemplo, de modo unívoco. Um amor em Proust nunca é especificamente homossexual. Ele comporta sempre um componente esquizo, paranoico, um devir planta, um devir mulher, um devir música. Uma outra noção maciça cujos danos são incalculáveis, é a de orgasmo. A moral sexual dominante exige da mulher uma identificação quase histórica de seu gozo com o do homem, expressão de uma simetria, de uma submissão a seu poder fálico. A mulher ‘deve’ seu orgasmo ao homem. Se ela o ‘recusa’, se torna culpada. Quantos dramas imbecis são alimentados em torno disso! E a atitude acusadora dos psicanalistas e dos sexólogos sobre esta questão não serve para resolver a situação. De fato, é comum que mulheres bloqueadas, com parceiros masculinos, cheguem facilmente ao orgasmo masturbando-se ou fazendo amor com outra mulher. Mas aí o escândalo é muito maior se as coisas chegam a ser descobertas!”(FÉLIX GUATTARI – Texto: ‘Devir Mulher’ – in: “Revolução Molecular: Pulsações Políticas do Desejo”)


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