o devir corpo feminino não deve ser assimilado à categoria ‘mulher’ tal
como ela é considerada no casal, na família, etc. Tal categoria, aliás,
só existe num campo social particular que a define! Não há mulher em si!
Não há pólo materno, nem eterno feminino... A oposição homem/mulher
serve para fundar a ordem social, antes das oposições de classe, de
casta, etc. Inversamente, tudo o que quebra as normas, tudo o que rompe
com a ordem estabelecida, tem algo a ver com o homossexualismo ou com um
devir animal, um devir mulher, etc. Toda semiotização em ruptura
implica numa sexualização em ruptura. (...) Parece-me importante
explodir noções generalizantes e grosseiras como as de mulher,
homossexual... As coisas nunca são tão simples assim. Quando as
reduzimos a categorias branco/preto ou macho/fêmea, é porque estamos com
uma ideia de antemão, é porque estamos realizando uma operação
redutora-binarizante e para nos assegurar-mos de um poder sobre elas.
Não podemos qualificar um amor, por exemplo, de modo unívoco. Um amor em
Proust nunca é especificamente homossexual. Ele comporta sempre um
componente esquizo, paranoico, um devir planta, um devir mulher, um
devir música. Uma outra noção maciça cujos danos são incalculáveis, é a
de orgasmo. A moral sexual dominante exige da mulher uma identificação
quase histórica de seu gozo com o do homem, expressão de uma simetria,
de uma submissão a seu poder fálico. A mulher ‘deve’ seu orgasmo ao
homem. Se ela o ‘recusa’, se torna culpada. Quantos dramas imbecis são
alimentados em torno disso! E a atitude acusadora dos psicanalistas e
dos sexólogos sobre esta questão não serve para resolver a situação. De
fato, é comum que mulheres bloqueadas, com parceiros masculinos, cheguem
facilmente ao orgasmo masturbando-se ou fazendo amor com outra mulher.
Mas aí o escândalo é muito maior se as coisas chegam a ser
descobertas!”(FÉLIX GUATTARI – Texto: ‘Devir Mulher’ – in: “Revolução
Molecular: Pulsações Políticas do Desejo”)
Pensamos que saúde mental não é algo espontâneo. Muito menos congênito. De modo algum configura-se como um processo passivo. Saúde mental é , claramente , uma construção. Uma conquista . Um processo ativo. Um direito conquistado. Sendo assim , estamos dispostos a fornecer o melhor conteúdo veiculado do modo mais interessante para construção de um alicerce sólido afim de uma saúde mental forte e autônoma. SEJAM BEM VINDOS !
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